Dom Jacinto Bergmann,
Arcebispo de Pelotas
Arcebispo de Pelotas
Estamos numa mudança de época. Vivemos
muitas crises. A maior delas é a crise de fé. Acredita-se ainda?
Acreditar em que e em quem? Há algo que ainda dá sentido à vida? Para
onde caminha a humanidade? A plenitude deu definitivamente lugar ao
niilismo?
Em resposta à crise de fé, os fiéis da
Igreja Católica foram e são desafiados a viver um “Ano da Fé”, que
iniciou em outubro do ano passado e termina em novembro deste ano. Foi
proclamado, ainda, pelo Papa emérito, Bento XVI. Ele mesmo colocou uma
finalidade contundente do “Ano da Fé”: “repensarmos e vivenciarmos a
fé”. Em outras palavras, deseja o que o grande apóstolo das nações nos
primórdios do cristianismo, o Paulo de Tarso, já propusera aos que
tinham abraçado a fé em Jesus Cristo: “dar sempre razões à fé”. Também
hoje, na mudança de época em que vivemos, é urgente a tarefa nossa de
“darmos novas razões à fé”. Senão sucumbimos por falta de convicções;
senão sucumbimos no vazio da existência sem perspectivas. Precisamos
urgentemente recuperar a alegria de crer. Precisamos urgentemente
testemunhas de uma fé viva e forte.
Qual é o cerne da fé cristã? É preciso
acreditar em que e em quem mesmo? Pois, a resposta é esta: é preciso
acreditar na PÁSCOA! Não existe ressurreição sem Páscoa! Não existe
felicidade sem Páscoa! Não existe graça sem Páscoa! Não existe vida sem
Páscoa! Não existe luz sem Páscoa! Hoje, na mudança de época em que
vivemos, numa sociedade cada vez mais do
“fácil-relativo-supérfluo-efêmero-transitório”, quer-se viver a
ressurreição, a felicidade, a graça, a vida, a luz, mas sem uma Páscoa.
Páscoa é passagem. Passagem da cruz para
a ressurreição, passagem da facilidade para a felicidade, passagem do
pecado para a graça, passagem da morte para a vida, passagem das trevas
para a luz. Nessa passagem é preciso abraçar a cruz. Procura-se sempre
mais fugir da cruz. A fuga da cruz é uma ilusão e não nos leva à
ressurreição, à felicidade, à graça e à vida.
Vamos acreditar na Páscoa: a humanidade depende desta fé. A humanidade precisa da Páscoa-passagem do sepulcro escuro do niilismo para a ressurreição luminosa da plenitude. Ainda é atualíssima a palavra do grande Agostinho de Hipona: “nosso coração anda inquieto enquanto não repousa no Absoluto-Deus”.
Vamos acreditar na Páscoa: a humanidade depende desta fé. A humanidade precisa da Páscoa-passagem do sepulcro escuro do niilismo para a ressurreição luminosa da plenitude. Ainda é atualíssima a palavra do grande Agostinho de Hipona: “nosso coração anda inquieto enquanto não repousa no Absoluto-Deus”.
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