“É
urgente o estabelecimento de estruturas nacionais e diocesanas
destinadas não apenas a acompanhar os migrantes e refugiados, como
também a se empenharem junto aos organismos da sociedade civil, para que
os governos tenham uma política migratória que leve em conta os
direitos das pessoas em mobilidade”. (DGAE, 2011-2015, n. 111)
É viva, histórica e atuante a presença
da Igreja no campo da mobilidade humana, seja em seu ensinamento social,
seja por intermédio de grupos e ações pastorais, seja a partir de
reflexões e articulações junto a outros segmentos da sociedade civil e
do Estado. Diante da complexidade inerente ao nosso tempo, urge somar
esforços para assegurar a dignidade e a plena cidadania aos homens e
mulheres que, por várias circunstâncias ou por necessidade, vivem a
condição de migrantes ou de itinerantes. As Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora no Brasil expressam esse cuidado pastoral e reiteram a
caminhada da Igreja junto às pessoas em mobilidade.
Em dezembro de 2003, na reunião do
CONSEP, a CNBB instituiu o Setor Pastoral da Mobilidade Humana – PMH,
com a finalidade de promover a articulação nacional sob o eixo e
horizonte da Mobilidade Humana , estimulando e favorecendo a caminhada
de cada Pastoral em sua especificidade e criando um espaço de partilha
dos caminhos percorridos e dos desafios colocados à ação da Igreja junto
ao complexo campo da mobilidade humana.
Ao longo dos quase 10 anos de
existência, a PMH foi ampliando sua abrangência e atenção aos diversos
segmentos da sociedade e atualmente congrega, além das Pastorais
mencionadas à época da criação do setor - Refugiados, Migrantes,
Nômades, Marítimos, Pescadores, Caminhoneiros (Pastoral da Estrada) – a
Pastoral do Turismo, a Missão Católica Polonesa, a Pastoral
Nipo-brasileira, bem como outras que, embora não formalmente
constituídas, são atuantes no campo da mobilidade humana, tais como: a
Obra de Maria”, que atua junto aos circenses e que difunde a Palavra de
Deus através do Circo; e o Núcleo dos Estudantes Internacionais, formado
em 2012, juntamente com a Pastoral da Universidade.
Assim, permanece atual e significativo o
objetivo proposto inicialmente: “Favorecer o aprofundamento da temática
da Mobilidade Humana e articular as Pastorais do Setor, para a
integração das atividades que a Igreja desenvolve neste âmbito, dando
visibilidade ao fenômeno da mobilidade humana em suas várias formas e
expressões, com vistas a contribuir para uma nova sociedade onde ninguém
se sinta estrangeiro ou excluído”.
Sempre voltado ao fortalecimento das
Pastorais e à articulação das mesmas através da reflexão, do
aprofundamento de temas específicos e do intercâmbio de experiências e
ações pastorais, buscou-se desde o início consolidar o diálogo interno
por meio de encontros nacionais, realizados a cada dois anos, alternados
com reuniões da equipe ampliada, constituída pelos coordenadores
nacionais de cada Pastoral:
- 1º Encontro Nacional, Brasília, 05 e 06/10/2005: “A ação pastoral e os desafios da Mobilidade Humana, hoje”;
- 2º Encontro Nacional, Brasília, 16 a 18/07/2007: “Discípulos e Missionários no mundo da Mobilidade Humana. A V Conferência de Aparecida: desafios e perspectivas”;
- 3º Encontro Nacional, Brasília, 16 e 17/09/2009: “Acolhida e Mobilidade Humana: desafios e perspectivas”;
- 4º Encontro Nacional, Brasília, 05 a 7/10/2011: “Deslocamentos humanos provocados pelas mudanças climáticas, catástrofes naturais e tecnológicas”.
- 2º Encontro Nacional, Brasília, 16 a 18/07/2007: “Discípulos e Missionários no mundo da Mobilidade Humana. A V Conferência de Aparecida: desafios e perspectivas”;
- 3º Encontro Nacional, Brasília, 16 e 17/09/2009: “Acolhida e Mobilidade Humana: desafios e perspectivas”;
- 4º Encontro Nacional, Brasília, 05 a 7/10/2011: “Deslocamentos humanos provocados pelas mudanças climáticas, catástrofes naturais e tecnológicas”.
Vale referir ainda algumas publicações produzidas pela PMH em parceria com outras instituições e órgãos governamentais:
- Mobilidade Humana no Brasil – Orientações Pastorais (2009);
- Seminário Nacional sobre Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (2010);
- Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo – II Seminário Nacional (2012).
- Seminário Nacional sobre Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (2010);
- Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo – II Seminário Nacional (2012).
O Documento de Aparecida conclama a
Igreja e a sociedade toda a olhar para os rostos sofridos de Cristo,
presentes nos novos excluídos da sociedade – os migrantes, os deslocados
e refugiados, as vítimas da violência, do tráfico de pessoas, as
mulheres maltratadas vítimas da exclusão e do tráfico, as pessoas que
vivem nas ruas das grandes cidades, entre outros. (cfr. n. 402).
Chamados, pois, a uma ação pastoral mais efetiva junto às vitimas de
tráfico de pessoas, seja ele para trabalho escravo, para fins de
exploração sexual, para adoção ilegal ou para extração de órgãos, a PMH
assume o GT de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, constituído em 2010,
pelo secretário-geral da CNBB, D. Dimas Lara Barbosa. Amplia, assim,
sua ação e, desde logo, soma-se a outras instituições e iniciativas por
uma Campanha da Fraternidade sobre o tema. Alcançada a aprovação desta
proposta pela CNBB, intensifica o aprofundamento da temática e reúne
esforços e mergulha, com as demais Comissões e Setores da CNBB, na
preparação da CF 2014 - “Fraternidade e Tráfico Humano” – com o lema
“Foi para a liberdade que Cristo nos libertou”.
A messe é grande e poucos são os
operários! Que o chamado de Jesus nos fortaleça nessa caminhada em que
homens e mulheres pelos caminhos da migração e da itinerância buscam
construir juntos as bases de uma cidadania universal e, portanto, de uma
sociedade onde reinem a justiça, a solidariedade, a caridade.
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