quarta-feira, 20 de junho de 2018

Bispos definem o processo de atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

20/06/2018   Conselho Permanente 

Bispos definem o processo de atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil
Bispos participam de debate sobre diretrizes. Foto: Assessoria de Imprensa CNBB/Matheus de Souza
Parte da manhã do segundo dia de reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil foi dedicada ao processo a ser desenvolvido para a atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelização (DGAE). As atuais diretrizes, que compreendem o período de 2015 a 2019, serão atualizadas na 57ª Assembleia Geral dos Bispos, a ser realizada no próximo ano.
Algumas intervenções vieram no sentido de manter as diretrizes assumidas na Assembleia Geral da CNBB de 2014, quando os prelados decidiram dar continuidade às Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2011-2015, atualizando-as à luz da Exortação apostólica do Papa Francisco sobre a alegria do Evangelho. A continuidade foi motivada pela necessidade de dar prosseguimento ao processo de aplicação do Documento de Aparecida, que é a principal referência das Diretrizes 2011-2015.
Dom Geremias Steinmetz, arcebispo de Londrina (PR) e vice-presidente do regional Sul 2, defendeu a necessidade de atualizar as diretrizes com o enfoque da atuação da Igreja na realidade urbana. O bispo disse ser necessário levar em consideração as reflexões produzidas no XIV Intereclesial de CEBs e sobre o Encontro dos Bispos das Metrópoles. “É muito importante que o documento aprofunde a questão das periferias e, sobretudo, do que estamos chamando de “periferias existenciais”. Lá, a Igreja precisa atuar com a caridade e assistência aos mais pobres”, disse.
Eixo aglutinador – Dom João Justino, arcebispo coadjutor de Montes Claros (MG) e presidente da Comissão Episcopal para a Cultura e Educação, também foi favorável a manter as diretrizes não com a ideia de “urgências” mas como pilares constantes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Para ele, é necessário ter um eixo aglutinador de ações de todos, o que poderia ser “a iniciação à vida cristã”.
Na avaliação de dom Vilson Basso, bispo de Imperatriz (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, é necessário investir numa nova metodologia de escuta dos destinatários da ação, a exemplo dos processos de escuta que o Papa Francisco vem fazendo com o processo dos Sínodos.
O arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, lembrou que é importante ter em conta que são diretrizes e não um plano. “Cabe posteriormente às dioceses, organismos e regionais produzirem seus planos pastorais com bases nas diretrizes gerais”, disse. Para ele, é importante que a revisão seja feita a partir de uma avaliação às Comissões Episcopais da CNBB e dioceses.
Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB e bispo auxiliar de Brasília, disse que será convocada reunião da Equipe Responsável pelo processo de atualização das diretrizes. Esta, com base no material produzido na última assembleia geral da CNBB e nesta reunião do Conselho Permanente, produzirá uma primeira versão do texto que deverá ser apreciado em reunião do Conselho Permanente de março de 2019, antes da próxima assembleia geral.

Episcopado dos Estados Unidos condena impacto negativo de lei sobre migração

 20/06/2018   Social 

Episcopado dos Estados Unidos condena impacto negativo de lei sobre migração
Vídeos sobre a detenção de crianças estrangeiras nos Estados Unidos provocaram indignação em todo o mundo. “Se por um lado nós realmente queremos uma solução legislativa para os ‘dreamer’, por outro não podemos, em boa fé, aprovar grandes mudanças estruturais no sistema de imigração que têm um impacto negativo sobre as famílias e sobre os vulneráveis, como as contidas nesta legislação”.
É o que escreve Dom Joe S. Vásquez, bispo de Austin, Texas e Presidente da Comissão para as Migrações da Conferência Episcopal Americana (USCCB / COM), na carta enviada a todos os membros da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, em relação a duas leis sobre a imigração que devem ser discutidas neste semana pelo Parlamento.
“Esperamos – disse o prelado – que haja a oportunidade de dialogar com os legisladores e discutir possíveis oportunidades para ulteriores compromissos, particularmente no que diz respeito aos efeitos sobre as famílias e os mais vulneráveis. “
Os chamados “Dreamer” são cerca de 800.000 imigrantes levados para os EUA por seus pais, clandestinos, quando eram crianças. Para protegê-los, o presidente Barack Obama instituiu o programa DACA (Ação Diferida para Chegadas na Infância). Donald Trump suspendeu o programa.
Dom Vasquez escreveu uma primeira carta em janeiro do ano passado, opondo-se ao projeto de lei H.R. 4760, também ele em discussão esta semana, e que prevê a redução dos vistos para trabalhadores no setor agrícola, a redução de vistos para o reagrupamento familiar, financiamentos para construir o muro fronteiriço com o México e o aumento de agentes empregados no Departamento de Segurança.
Na carta divulgada na terça-feira, 19, e enviadas à Agência Fides, Dom Vásquez explica: “Meus irmãos bispos e eu, apreciamos o esforço dos Representantes para encontrar uma solução legislativa para os ‘Dreamer’, adotando medidas sobre a imigração na Câmara dos Representantes. Acreditamos que tal legislação deva ser imparcial, oferecer aos Dreamer um caminho para a cidadania, ser a favor da família, proteger os vulneráveis e ser respeitoso da dignidade humana no que diz respeito à segurança e ao reforço das fronteiras”.
No entanto, repercutiram em todo o mundo os vídeos com os choros das crianças estrangeiras, separadas de seus pais e trancadas em centros de detenção por causa das novas regras relativas à imigração, uma consequência da “tolerância zero” na fronteira mexicana.
A questão é amplamente debatida em todos os níveis, como testemunha também a iniciativa da Igreja Metodista Unida, que condena o procurador-geral Jeff Sessions pela política do governo Trump, de separar as famílias de imigrantes sem documentos, na fronteira sul dos Estados Unidos.
A carta, assinada por 640 fiéis, sacerdotes e líderes da Igreja Metodista, afirma: “Baseados no parágrafo 2702.3 do Livro da Disciplina da União Metodista, acusamos Jefferson Beauregard Sessions, o procurador-geral dos Estados Unidos, de crimes envolvendo abuso de menores, imoralidade, discriminação racial e difusão de doutrinas contrárias aos padrões da doutrina da Igreja Metodista Unida.
Na carta é afirmado que “enquanto outros indivíduos do governo federal estão envolvidos em cada um desses exemplos”, Jeff Sessions, para ser um Metodista, encontra-se em uma “uma posição pública tremendamente poderosa”, da qual os signatários se sentem responsáveis: “temos uma obrigação ética de falar corajosamente quando um de nossos membros está envolvido em causar danos significativos “.
(Texto e foto: Vatican News)

Mais de 68 milhões de pessoas vivem refugiadas no mundo devido conflitos ou perseguição

20/06/2018   ESPECIAL 

Mais de 68 milhões de pessoas vivem refugiadas no mundo devido conflitos ou perseguição
A agência SIR (Servizio de Informazione Religiosa) da Conferência Episcopal Italiana publicou, nesta terça-feira, 19 de junho, um breve relato sobre a situação dos refugiados no mundo.
Leia o texto.
São 68,5 milhões, ou seja, o equivalente à população do Reino Unido, pessoas deslocadas em todo o mundo devido a conflitos, violência e perseguição, segundo o ACNUR, a agência de refugiados da ONU. Nunca antes o mundo registrou um número tão grande de pessoas deslocadas. Quarenta milhões de pessoas estão deslocadas dentro de seus países e outros 28,5 milhões cruzaram uma fronteira e se tornaram refugiados. 
Os números foram apresentados pelo Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), por meio do seu Secretário-Geral, Jan Egeland, que relata: “a Turquia, Bangladesh e Uganda, são os três países em 2017 receberam metade do 3,6 milhões novos refugiados. A Turquia recebeu 20%, cerca de 700.000 pessoas. Atualmente, hospeda mais de 3,8 milhões de refugiados, muitos deles da Síria. Bangladesh acolheu 18% e Uganda 15%, seguido pelo Sudão com 14% de refugiados. Em 2017, foram devolvidos 667 mil pessoas a seus países, desses 283 mil apenas na Nigéria. Em comparação, o resto da Europa recebeu cerca de meio milhão de refugiados no ano passado, enquanto os Estados Unidos receberam cerca de 60.000 “. 
Números que, segundo Egeland, dão conta que a “responsabilidade internacional pelas pessoas deslocadas entrou em colapso total: os países ricos constroem muros contra famílias que fogem da guerra, enquanto há menos dinheiro disponível para ajudar pessoas em áreas de conflito”. Um exemplo claro disso é a história do navio Aquarius com seus 629 refugiados e migrantes aos quais foi negada a entrada nos portos italianos. “Quando tão poucos requerentes de asilo chegam à Europa e aos Estados Unidos – enfatiza o Secretário – somos responsáveis ​​por aumentar nosso apoio aos países menos ricos que atualmente abrigam um grande número de refugiados, como Bangladesh, Líbano e Uganda, e aumentar o número de pessoas que recebemos para o reassentamento”, diz Egeland. 
“A rede de segurança que implementamos desde a Segunda Guerra Mundial e que forneceu proteção a milhões de refugiados está sendo apoiada por um número cada vez menor de países. Se esses países não receberem apoio suficiente, todo o sistema de proteção se dissolverá. Se isso acontecer, teremos consequências dramáticas não apenas para os afetados, mas também para a estabilidade e a segurança em muitas partes do mundo “, disse. 
Em maio de 2018, de acordo com a nota da NBC, Uganda recebeu apenas 7% do dinheiro necessário para a ONU e outras organizações para ajudar o grande número de refugiados do Sudão do Sul e da República Democrática do Congo. Em Bangladesh, o valor é de cerca de 20%.

Sínodo da Amazônia: regional Norte 1 inicia processo de escuta às bases

20/06/2018   Amazônia 

Sínodo da Amazônia: regional Norte 1 inicia processo de escuta às bases
Com o lançamento do Documento Preparatório do Sínodo para a Amazônia, o regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende o Norte do Amazonas e o Estado de Roraima já prepara suas dioceses e prelazias para momentos de leitura e reflexões acerca do texto-base. A proposta é fazer com que todos estejam a par do Documento e possam apresentar seus clamores.
O secretário-executivo do regional, diácono Francisco Andrade de Lima explica que já em fevereiro, o Norte 1 elaborou uma proposta de trabalho para dinamizar a apresentação do Documento nas dioceses e prelazias. “O primeiro passo definido era que íamos inserir o Documento na programação dos encontros já estabelecidos ao longo do ano em nossa agenda”, disse.
Seminário das Pastorais Sociais do regional Norte 1 sobre Incidência Política. Crédito: Regional Norte 1
Já como forma concreta do que fora combinado, nos dias 15 a 17 de junho, o regional realizou um seminário de incidência política onde reuniu as pastorais sociais. Na ocasião, o diácono Francisco afirmou que os participantes puderam ter contato com o Documento Preparatório do Sínodo. “Já aproveitamos para fazer o processo de escuta das bases como pede o Documento”, revelou. 
O Documento Preparatório do Sínodo foi construído por uma equipe de assessores e aprovado pelo Vaticano. Composto por um texto-base, ele oferece uma análise da conjuntura atual da Amazônia e aponta recursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nesse bioma. O objetivo do material é justamente preparar as comunidades para o Sínodo e ouvi-las, conforme desejo expresso do papa Francisco.
Dividido em três partes, segundo o método ver, discernir e agir, ao final do Documento estão algumas questões que permitem o diálogo e uma progressiva aproximação da realidade para que as populações da Amazônia sejam ouvidas. E é exatamente isso que o regional Norte 1 juntamente com os comitês da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) se propõem a fazer. “Com a aplicação do questionário, nós do regional temos a esperança de que o Sínodo Pan-Amazônico traga novos encaminhamentos e metodologias”, finaliza o secretário-executivo.
Ecologia Integral – “Amazônia: novos caminhos para a igreja e para uma ecologia integral” é o tema do Sínodo que será realizado em outubro do ano que vem. O presidente do regional Norte 1, dom Mário Antônio da Silva afirma que esta é uma oportunidade de dinamizar um pouco mais a evangelização dos povos da região. “É o momento de ser uma presença renovada junto às comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas, bem como uma presença renovada e fecunda em todo e qualquer lugar, sobretudo nas grandes cidades da nossa Amazônia”, enfatiza.

Bispos analisam a conjuntura brasileira rumo ao processo eleitoral de outubro

20/06/2018   Conselho Permanente 

Bispos analisam a conjuntura brasileira rumo ao processo eleitoral de outubro
Parte da segunda seção do primeiro dia da reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada na sede da entidade, em Brasília (DF) de 19 a 21 de junho, foi dedicada à uma análise de conjuntura do processo político brasileiro tendo em vista as eleições 2018. A análise foi desenvolvida pelo doutor em filosofia pela Unicamp e membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), Pedro Gontijo.
Antes de entrar na análise das candidaturas e o que elas representam, o professor adjunto do Departamento de Filosofia do Programa de Pós-Graduação em Metafísica da Universidade de Brasília, apresentou as características das concepções de desenvolvimento em disputa no Brasil: o projeto neoliberal e o projeto “neodesenvolvimentista”. Este tomou corpo no país a partir de 2003 e significou maior presença do Estado como indutor da economia e maior reforço em políticas sociais.
“A Ponte para o Futuro”, projeto do PMBD implementado após o impedimento da presidenta Dilma Rousseff, na avaliação do professor, trata-se de um retorno da agenda neoliberal, expresso em políticas de privatizações e cortes sociais em curso no Brasil. Segundo o próprio Tribunal de Contas da União (TCU), a Emenda Constitucional nº 95 de 2016, que prevê que a despesa primária da União não poderá crescer em ritmo superior ao da taxa de inflação pelo período de 20 anos (2017-2036), levará o país à uma paralisia total já no primeiro semestre de 2024.
Projetos em disputa – O professor defende também que é importante analisar o comportamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que terá nova presidência ainda este ano, e do Legislativo brasileiro que atualmente tem uma representação distorcida que não contempla a diversidade da sociedade brasileira, além dos interesses pessoais dos políticos e de bancadas que se sobrepõem ao interesse público.
A análise chamou atenção ao papel da mídia que tem atuado “criminalizando” a atividade política. O professor destacou ainda a atuação de setores evangélicos cuja estratégia é chegar a ocupar 30% das vagas no Congresso Nacional.
O professor defende que por trás das candidaturas apresentadas ao eleitorado brasileiro há projetos diferentes: conservador autoritário, neoliberal, neodesenvolvimentista, popular, híbrido político e econômico. Somado às velhas estratégias de compra de votos e de manipulação do eleitorado, as fakenews (falsas notícias) e robôts virtuais são a grande novidade que podem ter uma interferência no processo e no resultado do processo eleitoral no Brasil.
O cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, disse ser necessário olhar com bastante cuidado sobre a eleição para as casas legislativas, uma vez que a eleição fica muito focada nos cargos executivos. Ele defende que o Congresso Nacional é fundamental na política brasileira sendo necessário, em razão disto, investir em um processo de renovação dos quadros políticos.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Dom Jaime faz uma análise do amor de mãe e afirma que Deus é um Pai com entranhas de mãe

 Especial 

Dom Jaime faz uma análise do amor de mãe e afirma que Deus é um Pai com entranhas de mãe
Em recente artigo, o arcebispo metropolitano de Natal (RN), dom Jaime Vieira Rocha, refletiu sobre o “Dia das Mães”, celebrado, este ano, no dia 13 de maio. Mesma data em que se celebra o dia de Nossa Senhora de Fátima.
No texto, dom Jaime faz reverência e agradece a todas as mães, mulheres que são guerreiras, destemidas, transmissoras de carinho e de ternura. Ele diz ainda que é preciso amar este ser que doa a vida, que se sacrifica, que suporta as dores, que manifesta suas preocupações e que reza constantemente para que o futuro dos filhos seja um futuro promissor.
E o bispo continua, neste sentido, como não rezar pelas mães que sofrem desprezo, abandono ou que se sentem desanimadas ou cansadas por tudo o que sofrem pelos filhos. Nós o faremos, sobretudo, na celebração da Eucaristia, onde adoraremos e louvaremos o Pai bondoso e cheio de compaixão, Deus que nas mães faz traduzir a sua ternura por toda criatura: “Qual mãe que acaricia os filhos assim vou dar-vos carinho, em Jerusalém é que sereis acariciados” (Is 66,13).
Esse amor de mãe é citado por dom Jaime em várias passagens do Antigo testamento onde o amor de Deus é comparado ao amor de uma mãe no texto de Isaías. Em outro momento, o bispo cita que é possível encontrar outro trecho, no mesmo livro do Profeta, onde se vê que o amor de Deus pelo seu povo supera o amor de mãe, quando esse não existe: “Sião vinha dizendo: ‘O Senhor me abandonou, o Senhor esqueceu-se de mim!’ Acaso uma mulher esquece o seu neném, ou o amor ao filho de suas entranhas? Mesmo que alguma se esqueça, eu de ti jamais me esquecerei!” (Is 49,14-15; cf. Sl 27,10).
O bispo relata ainda que indiretamente, Deus é chamado de mãe por Moisés quando manifesta sua queixa ao Senhor: “Acaso fui eu quem concebeu ou deu à luz este povo, para que me digas: ‘Carrega-o no colo, como se fosse uma babá a levar uma criança, até à terra que prometestes a seus pais?’” (Nm 11,12). No cântico de Moisés, reportado em Dt 32, outra vez a comparação com a mãe, usando a imagem da águia: “Qual águia que desperta a ninhada, esvoaçando sobre os filhotes, também Ele estendeu as asas e o apanhou e sobre suas penas o carregou” (Dt 32,11).
Dom Jaime assegura que essa imagem de Deus onde ternura e carinho são seus atributos não devem causar estranheza, pelo contrário, a própria experiência da mãe que temos atesta que Deus é Pai, mas com entranhas de mãe.
O arcebispo de natal ressalta que mesmo sendo conscientes de que o nosso falar sobre Deus é por analogia, isto é, os termos são sempre pobres ou insuficientes, podemos unir ternura materna e amor divino (cf. Sl 27,10; Jr 31,15-20; aproximação às figuras tanto do pai como da mãe. Possíveis traços femininos encontramos em Dt 32,18; Jó 38,8). Podemos citar aqui aquelas palavras tão doces do Papa João Paulo I, na famosa alocução do Angelus do dia 10 de setembro de 1978: “Também nós, que nos encontramos aqui, temos os mesmos sentimentos; somos objeto, da parte de Deus, dum amor que não se apaga. Sabemos que tem os olhos sempre abertos para nos ver, mesmo quando parece que é de noite. Ele é papá; mais ainda, é mãe”. É claro, isso não significa que vamos agora chamar Deus de “Mãe” ao invés de “Pai”.
É importante deixar claro, diz dom Jaime, que quando chamamos Deus de “Pai”, estamos seguindo o exemplo de Jesus e precisamos entrar em seu coração. Para Jesus, Deus Pai significa que Ele é amor, sempre amor: “Eu te amo com amor eterno; por isso, guardo por ti tanta ternura” (Jr 31,3), ou ainda: “Mesmo que as serras mudem de lugar, ou que as montanhas balancem, meu amor para contigo nunca vai mudar, minha aliança perfeita nunca há de vacilar – diz o Senhor, o teu apaixonado” (Is 54,10)”.
Dom Jaime finaliza o texto, lembrando que Nossa Senhora foi a escolhida para ser a Mãe do Senhor Jesus, modelo de mulher crente, obediente à Palavra de Deus e que, na liberdade, aceita o plano divino, que é sempre o de tornar o homem e a mulher felizes, porque libertos da escravidão do pecado. Em Maria, a Virgem de Nazaré, Deus realiza e concretiza o seu desejo de comunhão e de amizade com o ser humano, sempre manifestando-lhes ternura e compaixão.

Diretor da Transparência Internacional no Brasil faz relato aos bispos sobre combate à corrupção

22/05/2018   Consep 

Diretor da Transparência Internacional no Brasil faz relato aos bispos sobre combate à corrupção
No final da manhã desta terça-feira, no primeiro turno de trabalhos da reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o economista Bruno Brandão, diretor executivo da Transparência Internacional no Brasil, falou aos bispos sobre os trabalhos da entidade e sobre o fenômeno da corrupção no mundo inteiro. Na exposição feita, ele apresentou dados sobre o Brasil e anunciou para o dia 28 de maio, em São Paulo (SP), o lançamento de uma campanha em combate à corrupção no país.
Foto: CNBB/Matheus de Souza
Exposição
No início, Bruno Brandão fez uma breve apresentação aos bispos sobre a origem e a natureza do trabalho da Transparência Internacional. Ele lembrou que a organização surgiu 1993 e foi fundada por um ex diretor do Banco Mundial, Peter Eligen. A ideia da necessidade de um trabalho internacional de avaliação sobre a corrupção veio do tempo que ele atuou no Banco quando cuidava do setor que enviava recursos financeiros para projetos de desenvolvimento na África e esses recursos acabavam nos bolsos de famílias abastadas.
Brandão também mostrou que Peter Eligen percebeu que o tema não costumava aparecer nos relatórios do Banco. Essa preocupação o fez iniciar um trabalho que hoje se encontra representado em 110 países do mundo, levando sempre uma abordagem apartidária e fazendo enfoques sistêmicos que mostram como há distorções no cumprimento original dos recursos públicos ou corporativos. Ele lembrou que um dos propósitos fundacionais da Transparência Internacional é fortalecer a sociedade civil.
No Brasil, a organização chamada de Transparência Brasil, esclareceu Brandão, já foi ligada à Transparência Internacional, mas decidiu, recentemente e de forma pacífica, tomar um caminho próprio. O diretor disse ainda que a organização que dirige no país faz estudos com foco na qualidade das leis, das instituições e levanta possibilidades de transformações sistêmicas, uma vez que a corrupção é um problema sistêmico.
Foto: CNBB/Matheus de Souza
Corrupção: problema ocultoO Diretor da Transparência Internacional no Brasil lembrou aos bispos, no plenário do Consep, que a corrupção é um fenômeno com enormes possibilidades de medida e de avaliação da intensidade por se tratar de um problema oculto e disse: “a corrupção que a sociedade fica sabendo é aquela que deu errado”.
Brandão, ainda na sua exposição, mostrou que o Brasil é um país que não tem leis para proteger as pessoas que denunciam corrupção e que sua organização evita tratar de casos concretos para permanecer na análise de fundo que pode levantar o problema de forma sistêmica. Apesar desse propósito, a Transparência Brasil elaborou algumas ferramentas que podem ajudar no estudo de problemas concretos de corrupção. A ferramenta mais conhecida e usada em mais de 180 países é o índice de percepção da corrupção.
Foto: CNBB/Matheus de Souza
Índice de percepção da corrupçãoO último levantamento do índice de percepção da corrupção mostra que o Brasil ocupa o 96º lugar. A lista é encabeçada por três países onde a corrupção é menos percebida, menos presente – Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia – e encerrada por três países onde se percebe mais corrupção no mundo: Síria, Sudão do Sul e Somália. Segundo Brandão, o Brasil caiu 17 posições no último ano.
Brandão lembrou que apesar dessa lista coincidir com países desenvolvidos com melhores índices e em desenvolvimento com piores índices, há uma constatação surpreendente. Considerando, por exemplo, o nível de corrupção envolvendo empresas e poderes públicos, percebe-se que países desenvolvidos que não praticam corrupção em suas sedes, exportam propina. A lista dos países que corrompem fora de seus é encabeçada por Holanda, Suíça e Bélgica.
Força da sociedade brasileira no combate à corrupçãoBrandão apresentou aos bispos um dado de esperança: 87% dos brasileiros, segundo pesquisa feita pela Transparência Internacional, acredita que o cidadão comum pode fazer uma diferença no combate à corrupção. Foi o melhor índice da pesquisa comparando o resultado em 77 países. E ressaltou:
  • 8 em cada 10 brasileiros acreditam que o cidadão comum pode fazer diferença no combate à corrupção;
  • 3 a cada 4 brasileiros concordam que é socialmente aceitável reportar corrupção;
  • 81% dos brasileiros se sentem pessoalmente obrigados a reportar corrupção;
  • 7% dos brasileiros passaria um dia inteiro em um tribunal para fornecer evidências de casos de corrupção.
Campanha “Unidos contra a corrupção”O diretor da Transparência Internacional terminou a exposição – que foi seguida de um amplo debate – convidando a CNBB e os bispos para participarem de uma campanha que será lançada na sede da organização, em São Paulo, no próximo dia 28, sábado, que tem como título: “unidos contra a corrupção”.
Para formatar essa campanha, a organização reuniu especialistas e fez consulta pública sobre a elaboração de “novas medidas para acabar com esse velho problema do Brasil”. A campanha será dirigida a toda a população e tem objetivo de colaborar com a formação para o voto consciente nas próximas eleições de outubro, por ser, segundo Brandão, sinal de compromisso com a democracia.