segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Nota da CNBB sobre ação no STF que inclui a questão do aborto

Consep aprovou mensagem em defesa da integridade da vida

O Conselho Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nesta quarta-feira, 21 de setembro de 2016, Nota Oficial para manifestar a posição do episcopado com relação a Ação Direta de Inconstitucionalidade-ADI 5581 que tramita no Supremo Tribunal Federal-STF. Essa ADI questiona a lei 13.301/2016 que trata da adoção de medidas de vigilância em saúde, relativas ao vírus da dengue, chikungunya e zika.
Os bispos concordam que é urgente “que o Governo implemente políticas públicas para enfrentar efetivamente o vírus da zika, como, por exemplo, um eficiente diagnóstico e acompanhamento na rede pública de saúde”. No entanto, consideram estranho e indigno que se introduza nesse contexto da ADI a questão do aborto: “É uma incoerência que ela defenda os direitos da criança afetada pela síndrome congênita e, ao mesmo tempo, elimine seu direito de nascer”.
Intitulada "Em defesa da integridade da vida", a Nota da CNBB destaca a posição tradicional da Igreja sobre o aborto e traz uma denúncia sobre os interesses de grupos que que se aproveitam para colocar a questão do aborto no contexto do debate da ADI: “Repudiamos o aborto e quaisquer iniciativas que atentam contra a vida, particularmente, as que se aproveitam das situações de fragilidade que atingem as famílias. São atitudes que utilizam os mais vulneráveis para colocar em prática interesses de grupos que mostram desprezo pela integridade da vida humana”.
Os membros do Conselho apontaram para o exemplo das paralimpíadas: “As paralimpíadas trouxeram uma lição a ser assimilada por todos. O sentimento humano que brota da realidade dos atletas paralímpicos, particularmente das crianças que participaram das cerimônias festivas, nasce da certeza de que a humanidade se revela ainda mais na fragilidade”.  E os bispos concluem pedindo para que as comunidades cristãs ofereçam acolhimento e apoio às vítimas da microcefalia: “Solidarizamo-nos com as famílias que convivem com a realidade da microcefalia e pedimos às nossas comunidades que lhes ofereçam acolhida e apoio”.


Leia a nota na íntegra:


NOTA DA CNBB EM DEFESA DA INTEGRIDADE DA VIDA

“ Escolhe, pois, a vida, para que vivas. ” (Dt 30,19b)

O Conselho Episcopal Pastoral – CONSEP, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 20 e 21 de setembro de 2016, vem manifestar sua posição com relação a Ação Direta de Inconstitucionalidade-ADI 5581 que tramita no Supremo Tribunal Federal-STF. Essa ADI questiona a lei 13.301/2016 que trata da adoção de medidas de vigilância em saúde, relativas ao vírus da dengue, chikungunya e zika.
Urge, de fato, como pede a ADI, que o Governo implemente políticas públicas para enfrentar efetivamente o vírus da zika, como, por exemplo, um eficiente diagnóstico e acompanhamento na rede pública de saúde. Além disso, seja estendido por toda a vida o benefício para criança com microcefalia e não por apenas três anos, como estabelece o artigo 18 da lei 13.301/2016. Ao contrário do que prevê o parágrafo segundo desse artigo, o benefício seja concedido imediatamente ao nascimento da criança e não após a cessação do salário maternidade.
Causa-nos estranheza e indignação a introdução do aborto na ADI. É uma incoerência que ela defenda os direitos da criança afetada pela síndrome congênita e, ao mesmo tempo, elimine seu direito de nascer. Nenhuma deficiência, por mais grave que seja, diminui o valor e a dignidade da vida humana e justifica o aborto. “Merecem grande admiração as famílias que enfrentam com amor a difícil prova de um filho com deficiência. Elas dão à Igreja e à sociedade um precioso testemunho de fidelidade ao dom da vida” (Papa Francisco, Amoris Laetitia, 47).
Repudiamos o aborto e quaisquer iniciativas que atentam contra a vida, particularmente, as que se aproveitam das situações de fragilidade que atingem as famílias. São atitudes que utilizam os mais vulneráveis para colocar em prática interesses de grupos que mostram desprezo pela integridade da vida humana.
As paralimpíadas trouxeram uma lição a ser assimilada por todos. O sentimento humano que brota da realidade dos atletas paralímpicos, particularmente das crianças que participaram das cerimônias festivas, nasce da certeza de que a humanidade se revela ainda mais na fragilidade.
Solidarizamo-nos com as famílias que convivem com a realidade da microcefalia e pedimos às nossas comunidades que lhes ofereçam acolhida e apoio. Rogamos a proteção de Nossa Senhora, Mãe de Jesus, para todos os brasileiros e brasileiras.

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos KriegerArcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich SteinerBispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

LITURGIA

Evento ocorrerá em São Paulo, de 17 a 21 de outubro
O Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard, em parceria com a Rede Celebra e Centro Universitário Salesiano (Unisal), promove de 17 a 21 de outubro, a 30ª Semana de Liturgia.
O tema escolhido para reflexão está em sintonia com o Jubileu Extraordinário da Misericórdia: “O rosto da misericórdia de Deus”. A temática abordará a proposta do Ano Santo no mundo e na bíblia, na história e na liturgia da Igreja com o objetivo de capacitar os participantes a celebrarem a misericórdia “em uma liturgia que implique o compromisso de transformar a Igreja em rosto da misericórdia divina no mundo”.
O evento ocorrerá no Espaço Anhanguera do Centro de Pastoral Santa Fé, em São Paulo (SP).
A Semana de Liturgia tem vagas limitadas. Podem participar agentes da Pastoral Litúrgica, coordenadores regionais, diocesanos e paroquiais da Pastoral Litúrgica e da Catequese, professores de Liturgia e Sacramentos, bispos, presbíteros, diáconos e seminaristas.
Informações e inscrição estão disponíveis no folder do evento.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

“As vítimas das guerras imploram paz”, diz o papa Francisco

Dia Mundial de Oração pela Paz fez parte do evento “Sede de Paz. Religiões e Culturas em diálogo”
O papa Francisco foi hoje, dia 20, a Assis, na Itália, para celebrar os 30 anos do histórico Encontro de Oração pela Paz, realizado no dia 27 de outubro de 1986, por iniciativa de São João Paulo II. De acordo com a Rádio Vaticano, cerca de 500 líderes religiosos e personalidades da política e da cultura estiveram presentes. O Dia Mundial de Oração pela Paz fez parte do evento “Sede de Paz. Religiões e Culturas em diálogo”, promovido pela diocese de Assis, Famílias Franciscanas e Comunidade de Santo Egídio. 
Na ocasião, o papa Francisco reuniu-se com os representantes cristãos na Basílica inferior de São Francisco para a oração ecumênica. Em sua meditação, o pontífice destacou que as palavras de Jesus são interpeladoras, pois pedem acolhimento no coração e resposta com a vida. “Na sua exclamação ‘tenho sede’, podemos ouvir a voz dos que sofrem, o grito escondido dos pequenos inocentes a quem é negada a luz deste mundo, a súplica instante dos pobres e dos mais necessitados de paz”, disse Francisco.
As vítimas das guerras “que poluem os povos de ódio e a terra de armas”, segundo o pontífice, imploram paz. Também o fazem aqueles que vivem sob a ameaça dos bombardeamentos ou são forçados a deixar a casa e emigrar para o desconhecido, despojados de tudo. “Todos eles são irmãos e irmãs do Crucificado, pequeninos do seu Reino, membros feridos e sedentos da sua carne. Têm sede. Mas, frequentemente, é-lhes dado, como a Jesus, o vinagre amargo da rejeição”, disse.

Encontro

O papa Francisco celebrou pela manhã na capela da Casa Santa Marta e seguiu para Assis, onde chegou de helicóptero às 10h55. O pontífice foi de carro até o Sacro Convento de Assis, onde foi recebido, entre outros, pelo patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I; o patriarca Sírio-ortodoxo de Antioquia Ignatius Efrem II; pelo vice-presidente da Universidade de Al-Azhar, no Egito, Abbas Schuman; pelo arcebispo de Cantuária e primaz da Igreja Anglicana Justin Welby; pelo rabino chefe de Roma, Riccardo di Segni, entre outros.
Juntos, dirigiram-se ao Claustro de Sisto IV, onde aguardavam representantes de Igrejas e Religiões de todo o mundo, além dos Bispos da Úmbria. Francisco saudou um a um os presentes. Às 13 horas, no refeitório do Sacro Convento, aconteceu um almoço comum, do qual participaram 12 refugiados provenientes de países em guerra, atualmente acolhidos pela Comunidade de Santo Egídio.
O encontro com os representantes cristãos na Basílica inferior de São Francisco para a oração ecumênica ocorreu na parte da tarde, quando o papa fez sua meditação sobre as palavras que ressoam ao contemplar Jesus crucificado: “Tenho sede!”. Para o pontífice a sede é, “ainda mais do que a fome, a necessidade extrema do ser humano, mas representa também a sua extrema miséria. Não necessitamos somente de água, mas sobretudo de amor, ‘elemento não menos essencial para se viver’”.
Neste momento de encontro foram acesas velas recordando os países passam por guerras.
Ao final do evento, Francisco agradeceu aos representantes das Igrejas, Comunidades cristãs e Religiões pela presença e participação. Ele lembrou que todos se encontravam reunidos em Assis como peregrinos à procura da paz, movidos pelo desejo de testemunhá-la, sobretudo pela necessidade de rezar por ela, “porque a paz é dom de Deus e cabe a nós invoca-la, acolhê-la e construí-la cada dia com a sua ajuda”, frisou.
“Sair, pôr-se a caminho, encontrar-se em conjunto, trabalhar pela paz: não são movimentos apenas físicos, mas sobretudo da alma”, acrescentou, “são respostas espirituais concretas para superar os fechamentos, abrindo-se a Deus e aos irmãos. É Deus que no-lo pede, exortando-nos a enfrentar a grande doença do nosso tempo: a indiferença”, disse o papa.

Leia o pronunciamento do papa aos representantes cristãos:
"À vista de Jesus crucificado, ressoam também para nós as suas palavras: «Tenho sede!» (Jo 19, 28). A sede é, ainda mais do que a fome, a necessidade extrema do ser humano, mas representa também a sua extrema miséria. Assim contemplamos o mistério do Deus Altíssimo, que Se tornou, por misericórdia, miserável entre os homens.
De que tem sede o Senhor? Certamente de água, elemento essencial para a vida; mas sobretudo de amor, elemento não menos essencial para se viver. Tem sede de nos dar a água viva do seu amor, mas também de receber o nosso amor. O profeta Jeremias expressou o comprazimento de Deus pelo nosso amor: «Recordo-Me da tua fidelidade no tempo da tua juventude, dos amores do tempo do teu noivado» (Jr 2, 2). Mas deu voz também ao sofrimento divino, quando o homem, ingrato, abandonou o amor, quando – parece dizer também hoje o Senhor – «Me abandonou a Mim, nascente de águas vivas, e construiu cisternas para si, cisternas rotas, que não podem reter as águas» (Jr 2, 13). É o drama do «coração árido», do amor não correspondido; um drama que se renova no Evangelho, quando, à sede de Jesus, o homem responde com vinagre, que é vinho estragado. Como profeticamente lamentou o salmista, «deram-me (…) vinagre, quando tive sede» (Sal 69/68, 22).
«O Amor não é amado»: tal era, segundo algumas crónicas, a realidade que turvava São Francisco de Assis. Por amor do Senhor que sofre, não se envergonhava de chorar e lamentar-se em voz alta (cf. Fontes Franciscanas, n. 1413). Esta mesma realidade nos deve estar a peito ao contemplarmos Deus crucificado, sedento de amor. Madre Teresa de Calcutá quis que, nas capelas de cada comunidade, estivesse escrito perto do Crucifixo: «Tenho sede». Apagar a sede de amor de Jesus na cruz, através do serviço aos mais pobres dos pobres, foi a sua resposta. Na verdade, o Senhor é saciado pelo nosso amor compassivo; é consolado quando, em nome d’Ele, nos inclinamos sobre as misérias alheias. No Juízo, chamará «benditos» aqueles que deram de beber a quem tinha sede, aqueles que ofereceram amor concreto a quem estava necessitado: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).
As palavras de Jesus interpelam-nos, pedem acolhimento no coração e resposta com a vida. Na sua exclamação «tenho sede», podemos ouvir a voz dos que sofrem, o grito escondido dos pequenos inocentes a quem é negada a luz deste mundo, a súplica instante dos pobres e dos mais necessitados de paz. Imploram paz as vítimas das guerras que poluem os povos de ódio e a terra de armas; imploram paz os nossos irmãos e irmãs que vivem sob a ameaça dos bombardeamentos ou são forçados a deixar a casa e emigrar para o desconhecido, despojados de tudo. Todos eles são irmãos e irmãs do Crucificado, pequeninos do seu Reino, membros feridos e sedentos da sua carne. Têm sede. Mas, frequentemente, é-lhes dado, como a Jesus, o vinagre amargo da rejeição. Quem os ouve? Quem se preocupa em responder-lhes? Deparam-se muitas vezes com o silêncio ensurdecedor da indiferença, o egoísmo de quem se sente incomodado, a frieza de quem apaga o seu grito de ajuda com mesma facilidade com que muda de canal na televisão.
À vista de Cristo crucificado, «poder e sabedoria de Deus» (1 Cor 1, 24), nós, cristãos, somos chamados a contemplar o mistério do Amor não amado e a derramar misericórdia sobre o mundo. Na cruz, árvore de vida, o mal foi transformado em bem; também nós, discípulos do Crucificado, somos chamados a ser «árvores de vida», que absorvem a poluição da indiferença e restituem ao mundo o oxigénio do amor. Do lado de Cristo, na cruz, saiu água, símbolo do Espírito que dá a vida (cf. Jo 19, 34); do mesmo modo saia de nós, seus fiéis, compaixão por todos os sedentos de hoje.
Como a Maria ao pé da cruz, conceda-nos o Senhor estar unidos a Ele e próximos de quem sofre. Aproximando-nos de quantos vivem hoje como crucificados e tirando a força de amar do Crucificado Ressuscitado, crescerão ainda mais a harmonia e a comunhão entre nós. «Com efeito, Ele é a nossa paz» (Ef 2, 14), Ele que veio anunciar a paz àqueles que estavam perto e aos que estavam longe (cf. Ef 2, 17). Ele nos guarde a todos no amor e nos congregue na unidade, para nos tornarmos o que Ele deseja: «um só» (Jo 17, 21)".

Com informações e foto da Rádio Vaticano

“O aborto é a violação do direito à vida do nascituro”, afirma dom Cipollini

O debate acerca da legalização do aborto voltou à tona nas últimas semanas por conta de uma enquete do portal e-Cidadania do Senado Federal a respeito de uma sugestão para regular a interrupção voluntária da gravidez, dentro das doze primeiras semanas de gestação, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O bispo de Santo André (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Pedro Carlos Cipollini, escreveu um artigo, que foi publicado no site da entidade, com a orientação da Igreja aos católicos.
“A orientação da Igreja é a favor da vida. Há valores que não se podem desprezar sob pena de se pagar um preço alto”, afirmou o bispo, que lembrou o mandamento de não matar. “Se a vontade do povo, o capricho de alguns, o interesse de poucos, constituísse o direito, poderíamos então criar o direito ao roubo, latrocínio, etc. Aqui é preciso considerar que a luz de milhões de velas não corresponde à luz de um único sol”, refletiu.
A proposta apresentada no portal legislativo que permite a apresentação de ideias e a votação sobre as matérias por parte dos internautas já alcançou mais de 358 mil votos desde setembro de 2014, quando foi aberta – até o fim daquele ano, quando a sugestão foi encaminhada para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado e começou a tramitar, foram contabilizados pouco mais de 20 mil votos.
Dom Cipollini afirma que o real objetivo da proposta é legalizar o aborto, mas que isso não é possível. “O direito à vida é uma cláusula pétrea da constituição (Art. 5). O aborto é a violação do direito à vida do nascituro”, sustenta. O bispo ainda lembra que as campanhas em favor do aborto reduzem a questão somente ao aspecto da saúde. “Estão de costas para o povo, com a falácia de que defendem o próprio povo. A democracia supõe o direito à dignidade da pessoa humana. A pedra fundamental da dignidade humana é o direito à vida, sua defesa principalmente onde se encontra ameaçada, e justo ali onde não tem como se defender”, completa.

Descarte

No artigo, dom Cipollini questiona o porquê de as soluções dos problemas sociais terem de passar sempre pela morte dos mais fracos e não pela promoção da vida e por que não usar a mesma diligência para promover leis que favoreçam a educação, saneamento básico e uma justa distribuição de renda, reafirmando um questionamento do papa Francisco a respeito.
“Não parece factível um caminho educativo para acolher os seres frágeis que nos rodeiam, que de repente nos atrapalham e são inoportunos, se não protegemos um embrião humano, embora sua chegada nos ocasione desconfortos e dificuldades”, disse Francisco em junho de 2015. “Em vez de resolver os problemas dos pobres e de pensar num mundo diferente, algumas pessoas propõem a redução da natalidade”, lamentou o pontífice naquela ocasião.
O artigo de dom Cipollini segue a mesma linha de reflexão, quando aponta para a ação de grupos de países ricos, cientistas e estudiosos motivados por instituições interessadas na diminuição da população pobre. 

“Conjugar a prática da justiça e da misericórdia”, destaca dom Sergio

Reunião do Conselho Episcopal Pastoral acontece em Brasília
Começou nesta terça-feira, dia 20 de setembro, a reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A celebração da palavra abriu as atividades com a reflexão a partir do Mês da Bíblia, que aborda a profecia de Miqueias e propõe como lema “Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus (cf. Mq 6, 8)”. O arcebispo de Brasília (DF) e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha, ressaltou em sua reflexão a necessidade de conjugar justiça e misericórdia.
Dom Sergio motivou os presentes dizendo que o encontro realizado mensalmente com a presidência da entidade e os presidentes da 12 Comissões Episcopais Pastorais não é somente para cumprir um calendário, mas estar juntos e pensar a evangelização da Igreja no Brasil.
Durante a celebração, foi feita a leitura de um trecho do capítulo 9 do Evangelho de Mateus, quando Jesus se encontra com o evangelista, até então cobrador de impostos, e o convida a O seguir. Questionado por fariseus do porquê de estar à mesa com “publicanos e com os pecadores”, Jesus tem uma resposta. “Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores", disse.
Em sua reflexão, dom Sergio lembrou, primeiramente, que a realização do Consep no Mês da Bíblia tem uma motivação de maior escuta a Deus e a seu povo. O presidente da CNBB afirmou que a temática proposta na celebração desafia e estimula a praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus. 
“São aspectos que se completam na busca de escutar Deus, escutar o seu povo. E tem sido um desafio conjugar misericórdia e justiça. Eu creio que é preciso avançar na compreensão e na prática, já que não são duas realidades que se contrapõem, são duas dimensões da mesma realidade”, afirmou o arcebispo, lembrando das reflexões da última reunião do Consep e da celebração do Jubileu Extraordinário da Misericórdia pela Igreja na América Latina, ocorrida no final de agosto, em Bogotá, na Colômbia.
Dom Sergio sublinhou que a própria concepção bíblica do Ano Jubilar inclui a justiça social, o direito dos pobres como parte do aspecto da própria vivência da misericórdia, no caso de conjugar a prática da misericórdia com a prática da justiça.
"Então pedimos a Deus essa graça, neste momento da reunião do Consep, de saber conjugar de maneira sábia e fiel a prática da justiça e da misericórdia", finalizou dom Sergio.

Reunião

O Consep trata-se de uma reunião ordinária e os bispos cumprem uma pauta de vários assuntos relacionados à realidade atual da Igreja e da sociedade brasileira. O encontro teve início na manhã desta terça-feira, 20 de setembro, e se estende até o final da tarde de amanhã, quarta-feira. Entre os assuntos discutidos na manhã desta está a escolha do tema e do lema da Campanha da Fraternidade a ser realizada durante a Quaresma de 2018.
A Campanha da Fraternidade é uma iniciativa da Igreja no Brasil que teve início nos primeiros anos da década de 1960 e sempre traz temas relacionados à vivência da caridade e da solidariedade humana. Na última edição da Campanha, neste ano de 2016, as comunidades foram convidadas a refletir, debater e tomar decisões concretas de melhoria no campo do saneamento urbano.
Os bispos do Conselho refletem sobre o prosseguimento da acolhida pastoral da Exortação Apostólica Pós-sinodal Amoris Laetitia do papa Francisco e ainda consideram a possibilidade de fazer uma declaração ao povo brasileiro sobre a ação direta de inconstitucionalidade (ADI) movida pela associação de defensores públicos juntamente com arguição de descumprimento de preceito fundamental, questionando dispositivos da Lei 13.301/2016, que trata da adoção de medidas de vigilância em saúde relativas aos vírus da dengue, chikungunyazika.

Instituições católicas assinam acordo pela dignidade e direitos das crianças e adolescentes brasileiros

Acordo é pautado no respeito à dignidade, a promoção, a defesa e garantia dos direitos da criança e do adolescente
Na sexta-feira, 16, onze instituições que formam a Mesa pro Bice Brasil assinaram na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), o Acordo de Cooperação pela Dignidade e Direitos das Crianças e Adolescentes Brasileiros. 
O acordo que tem entre seus objetivos valorizar o trabalho conjunto das instituições católicas nacionais e internacionais, contribui para a construção de um novo conceito de cidadania, pautado no respeito à dignidade, a promoção, a defesa e garantia dos direitos da criança e do adolescente, como eixos principais. Nele, as entidades se comprometeram a promover uma cultura inclusiva para a dignidade e direitos das crianças e adolescentes, mediante estratégias de diálogo entre gerações e o exercício de seus direitos. 
“Como Conferência dos Bispos, quero agradecer essa iniciativa, esse convite que nós recebemos para termos participação efetiva na construção desse acordo”, disse o bispo de Ipameri (GO), dom Guilherme Werlang. Além dele, compareceram à cerimônia o representante do Ministério da Educação, José Rafael; a deputada federal, Érika Kokay; a representante do Ministério Social e Agrário, Ivana Guest; o presidente da Rede La Salle, Edgar Genuíno Nicodem e o presidente do Bice, Olivier Duval.
Segundo as entidades, a assinatura do acordo é pautada em quatro eixos: o serviço educativo, pastoral, promocional e de proteção, e defesa e garantia dos direitos das crianças e adolescentes. Para o presidente do Bureau International Catholic de L’Enfance (BICE), a iniciativa é um exemplo da Igreja Católica. “Creio que a formação da Mesa pro Bice Brasil é um exemplo formidável. Ver as onze organizações juntando esforços, inteligência e orçamentos para ajudar os meninos e os adolescentes em situações mais difíceis aqui no Brasil é um ato impressionante da Igreja Católica”, sublinhou. 

Dignidade e direitos

Durante seu discurso na cerimônia de assinatura do acordo, dom Guilherme disse que é preciso levar em consideração que a vida humana começa na gestação e que “o primeiro direito a ser levado em conta é o de ter uma gestação”. Para ele, a gestação deve ser protegida por leis. 
Para a deputa e representante da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, Érika Kokay, crianças e adolescentes devem ser prioridades absolutas no país. “Quando a gente fala de dignidade humana, estamos falando de direitos – direitos da pessoa humana - e neste país crianças e adolescentes são prioridades absolutas, a única prioridade constitucional absoluta”, finalizou. 

Mesa pro Bice

As onze entidades que compõem a Mesa pro Bice Brasil formam uma rede nacional que visa reforçar ações para proteger os direitos das crianças. Assinaram o acordo de Cooperação pela Dignidade e Direitos das Crianças e Adolescentes Brasileiros, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); a Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec); o Bureau International Catholique de l’Enfance (Bice); a Cáritas Brasileira; a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Pastoral da Criança; a Pastoral do Menor; a Rede Jesuíta Brasil; a Rede La Salle;a  Rede Salesiana do Brasil e a União Marista do Brasil. 

Pontifícias Obras Missionárias apresentam a Campanha Missionária 2016

Na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM), em Brasília, nesta segunda-feira, 19 de setembro, foi apresentada para a Imprensa a Campanha Missionária de 2016. Com a presença do bispo auxiliar de São Luís (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Eclesial, dom Esmeraldo Barreto, do diretor nacional das POM, padre Maurício da Silva Jardim e do secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Cleber Buzatto, a campanha foi apresentada com o tema “Cuidar da Casa Comum é a nossa missão”. As reflexões feitas na entrevista coletiva ligaram o tema da Campanha com a Encíclica Laudato Si e com o tema da Campanha da Fraternidade deste ano que tratou do Saneamento Básico.
“O Papa Francisco mostrou-nos a associação íntima que existe entre a vida dos pobres e as fragilidades do Planeta”, disse dom Esmeraldo. Ele considera que a Campanha Missionária que oferece material específico para as comunidades refletirem sobre o tema tem a como objetivo chamar a atenção a respeito do compromisso de todos – especialmente dos cristãos – para o cuidado em relação ao Planeta, à “ Casa Comum”. “É preciso considerar o sentido humano da Ecologia” e “buscar um novo estilo de vida que olhe a integração de tudo”, concluiu dom Esmeraldo.
Cleber Buzatto sublinhou o exemplo dos povos originários no cuidado com a Natureza. Ele lembrou que 305 povos indígenas falando 274 línguas diferentes têm uma matriz semelhante no cuidado com a Natureza marcado pelo respeito e a reciprocidade”. Uma lógica que contradiz a prática da sociedade hegemônica no Brasil que lida com a Natureza por meio da posse e da exploração até a exaustão. Ele ainda disse que o CIMI deseja que a Campanha Missionária seja uma oportunidade para todos refletirem, debaterem e rezarem sob a inspiração das palavras do papa Francisco ao pedir maior ênfase na cultura da proximidade e do encontro.
Ao destacar o tema da Campanha, padre Maurício Jardim, recordou que o Papa Leão XIII, no final do século XIX já resumiu que a missão se faz com os joelhos que rezam, com as mãos que partilham e com os pés que levam ao caminho para lugares distantes. “Tudo está interligado”, disse o diretor das POM. “Pode-se cooperar com a Campanha Missionária, portanto, por meio da comunhão espiritual, a oração; da comunhão material, a partilha de recursos participando da coleta nacional missionária no dia 23 de outubro e a disposição para a missão ad gentes, por meio daqueles que podem ir ser missionários em outros povos”, comentou padre Mauricio.
Foram apresentados pelo diretor das POM os materiais da Campanha Missionária que foram distribuídos para as 276 dioceses e prelazias do Brasil: cartazes com o tema e lema da Campanha, 220 mil livrinhos e 22 mil DVDs da Novena Missionária, Mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial das Missões (22 de outubro), oração dos fiéis para o quarto domingo de outubro; envelopes para a coleta nacional e seis versões de marcadores de página.
Mais informações: www.pom.org.br